
Cada brasileiro carregará, ao fim de 2028, uma dívida pública de R$ 64.300 em seu nome — e o custo anual para financiar essa dívida chegará a R$ 7.720 por habitante, segundo estimativas baseadas nos dados mais recentes do Banco Central e da Secretaria do Tesouro Nacional. O valor representa o reflexo direto de uma trajetória fiscal que fugiu do controle em relação ao prometido em 2023, quando o governo federal apresentou o arcabouço fiscal como solução para o equilíbrio das contas públicas.
Com a taxa básica de juros em torno de 12% ao ano e a dívida projetada para alcançar 88% do PIB em 2028 — 13 pontos acima do previsto —, o peso do serviço da dívida se traduz em valores concretos que afetam diretamente a vida de cada cidadão, mesmo que de forma invisível ao cotidiano.
O que É a Dívida Pública e Por que Ela Afeta Você
A dívida pública federal é o conjunto de obrigações financeiras do governo federal com investidores nacionais e estrangeiros que compraram títulos públicos. Para se financiar, o Tesouro Nacional emite papéis como o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA, pagando juros a quem os detém.
Quando esse estoque cresce sem contrapartida no crescimento econômico, o percentual da receita pública consumido pelo pagamento de juros aumenta — e sobra menos dinheiro para tudo o mais.
Como o Cálculo Chega a R$ 7.720 por Pessoa
A matemática é direta. Com a dívida projetada para 2028 em torno de R$ 9,4 trilhões e uma taxa de juros média de 12% ao ano, o custo total anual de carregamento supera R$ 1,1 trilhão. Dividido pela população brasileira de aproximadamente 215 milhões de habitantes, o resultado por pessoa chega a R$ 7.720 apenas em juros — sem contar amortização do principal.
Para famílias de quatro pessoas, o custo implícito supera R$ 30.000 por ano, transferido silenciosamente do orçamento público para os detentores de títulos da dívida.
Em 2024, o Brasil Gastou Quase R$ 1 Trilhão Só em Juros
Os dados do Banco Central para 2024 revelam que o governo federal pagou R$ 950 bilhões em juros ao longo dos doze meses do ano — um valor que pode ser arredondado, sem exagero, para um trilhão de reais.
Em dezembro de 2024 foram gastos R$ 96 bilhões apenas nessa rubrica, o segundo maior valor mensal da série histórica. O número representou uma alta de 51% em relação a dezembro de 2023, evidenciando a aceleração dos custos financeiros do Estado brasileiro.
O Segundo Semestre Concentrou Metade do Gasto
Entre julho e dezembro de 2024, as despesas com juros totalizaram R$ 496 bilhões, alta de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. Somente no último trimestre — outubro, novembro e dezembro — o governo pagou R$ 300 bilhões, crescimento de 77% na comparação anual.
Não há outra categoria de gasto público federal que tenha crescido em velocidade semelhante no período.
A Promessa que Não se Cumpriu
Em 2023, quando o arcabouço fiscal foi apresentado ao Congresso e à sociedade, a projeção era de que as contas públicas atingiriam superávit de R$ 60 bilhões em 2025. O resultado foi um déficit de R$ 62 bilhões — uma inversão de mais de R$ 120 bilhões em relação ao prometido.
A relação dívida/PIB projetada para o fim de 2026 era de 76%. A estimativa atual aponta para 84%. Para 2028, o desvio acumula 13 pontos percentuais, representando aproximadamente R$ 2 trilhões a mais em obrigações do que o previsto há apenas dois anos.
Por que a Taxa de Juros Amplifica o Problema
Com a Selic elevada, cada real a mais de dívida custa mais caro ao erário. Novas emissões de títulos públicos são realizadas nas taxas correntes, o que significa que o estoque da dívida se renova progressivamente a custos maiores.
Esse mecanismo cria um ciclo de difícil reversão: dívida maior gera mais juros, juros maiores ampliam o déficit, déficit maior exige mais emissões, que aumentam ainda mais a dívida.
Como Isso Afeta Serviços Públicos
O espaço orçamentário consumido pelos juros reduz diretamente os recursos disponíveis para saúde, educação, infraestrutura e assistência social. Com a metodologia das “contas primárias” excluindo as despesas financeiras do cálculo oficial do déficit, o debate público sobre cortes se concentra exatamente nesses setores.
Na prática, cada bilhão destinado ao pagamento de credores da dívida é um bilhão a menos para o SUS, para universidades públicas, para o Bolsa Família ou para a manutenção de estradas federais.
O que Pode Mudar nos Próximos Anos
As perspectivas de reversão rápida são limitadas. Reduções expressivas da Selic dependem de uma inflação controlada e de uma percepção de risco fiscal menor por parte do mercado — o que, por sua vez, exige justamente o equilíbrio das contas que ainda não foi alcançado.
Reformas estruturais que reduzam o crescimento das despesas obrigatórias poderiam, ao longo do tempo, liberar espaço fiscal. Mas essas reformas são politicamente custosas e demandam tempo de maturação que o calendário eleitoral de 2026 torna ainda mais escasso.
Acompanhe as atualizações sobre as projeções fiscais brasileiras e seus impactos diretos no orçamento familiar.
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