
Com a relação dívida/PIB projetada para chegar a 88% em 2028 — 13 pontos acima do previsto quando o arcabouço fiscal foi lançado em 2023 — e os juros da dívida pública tendo custado R$ 950 bilhões apenas em 2024, o governo Lula enfrenta um dilema econômico que promete dominar a disputa presidencial de outubro de 2026. Pesquisas de opinião já apontam queda de popularidade do presidente, e analistas avaliam que a combinação de inflação, juros altos e deterioração dos serviços públicos pode definir o resultado das urnas.
O presidente Lula reconheceu publicamente, em diferentes ocasiões, que “2026 já começou” — sinalizando consciência de que as decisões econômicas dos próximos meses terão impacto direto na corrida eleitoral. O problema é que as opções disponíveis são todas politicamente custosas.
O Que Deu Errado com o Arcabouço Fiscal
O novo arcabouço fiscal, aprovado em 2023 como substituto do teto de gastos, prometia um caminho gradual para o equilíbrio das contas públicas. As metas eram ambiciosas, mas apresentadas como viáveis: superávit primário de R$ 60 bilhões em 2025 e dívida/PIB estabilizando em torno de 75% até 2028.
Os números realizados contam uma história diferente. O resultado de 2025 foi um déficit de R$ 62 bilhões, invertendo o sinal em mais de R$ 120 bilhões. A dívida, em vez de estabilizar, segue trajetória ascendente que coloca a relação dívida/PIB em 84% ao fim de 2026 e projetada para 88% em 2028.
Despesas “Fora do Teto” Ampliam o Rombo
Uma das críticas mais frequentes ao arcabouço fiscal é a proliferação de mecanismos que permitem gastos fora do limite estabelecido pela própria regra. Investimentos classificados como “prioritários”, emendas parlamentares, despesas emergenciais e outras rubricas acumulam valores expressivos sem constar no cálculo oficial do resultado primário.
Quando essas despesas são incluídas na conta, o déficit de 2025 se revela ainda maior do que o número oficial divulgado pelo governo.
As Três Saídas e Por que Nenhuma é Fácil
O equilíbrio fiscal exige, em última instância, aumentar receitas, reduzir despesas ou crescer mais rápido que a dívida. No contexto político brasileiro de 2026, as três opções enfrentam obstáculos significativos.
Corte de Gastos: Politicamente Tóxico
Reduções expressivas de despesas primárias — saúde, educação, previdência, programas sociais — afetam diretamente o eleitorado que sustenta o governo. Cortar o Bolsa Família, reduzir reajustes de servidores ou contingenciar verbas da educação são movimentos que a base aliada do PT resiste a apoiar.
O Judiciário, por sua vez, não demonstra qualquer compromisso com a disciplina orçamentária. Decisões judiciais que criam despesas obrigatórias para o Executivo são comuns e raramente levam em conta o impacto fiscal.
Aumento de Impostos: Impopular, mas Provável
A alternativa mais provável é a ampliação da arrecadação por vias que gerem menor resistência política. Impostos sobre setores considerados “privilegiados” — bancos, grandes fortunas, ativos financeiros — têm mais apelo eleitoral do que cortes em programas sociais.
O IOF sobre criptomoedas, anunciado em fevereiro de 2026, é um primeiro movimento nessa direção. A tributação de ativos digitais reúne características favoráveis ao governo: afeta um universo relativamente pequeno de investidores, é difícil de defender publicamente (o mercado cripto ainda carrega a imagem da bolha dos NFTs de 2021) e gera receita adicional sem tocar em programas sociais.
Crescimento Econômico: Insuficiente no Curto Prazo
O crescimento do PIB acima da taxa de juros reais seria a única saída que resolveria o problema sem custos diretos à população. Mas com a Selic elevada e a desconfiança do mercado sobre a trajetória fiscal, atrair o investimento privado necessário para acelerar o crescimento é um desafio circular: a credibilidade fiscal que incentiva o investimento é exatamente o que está em questão.
O Cenário Eleitoral e a Pressão sobre Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, opera em um ambiente de pressão crescente. De um lado, o mercado financeiro exige comprometimento com a responsabilidade fiscal e a trajetória de juros. Do outro, o núcleo político do governo — e o próprio presidente — pressiona por mais gastos e menos austeridade.
A nota de abertura do ano legislativo de 2025, enviada ao Congresso, ilustra a tensão. O governo se orgulhou de ter realizado o sexto maior ajuste fiscal do mundo em 2024, segundo o FMI. Ao mesmo tempo, o presidente Lula declarou publicamente que govern o país como sua mãe, Dona Lindu, ensinara a gerir o orçamento doméstico — “não se pode gastar mais do que a gente tem capacidade de arrecadar”.
A contradição entre o discurso de responsabilidade e os números realizados é o centro do debate que promete dominar a campanha eleitoral.
Legislativo Fragmentado Dificulta Soluções
Qualquer reforma fiscal estrutural depende de aprovação no Congresso Nacional, onde o governo Lula opera com uma base aliada heterogênea e crescentemente exigente em troca de apoio político. O Centrão, que sustenta parlamentarmente o governo, tem interesses próprios que raramente se alinham com austeridade fiscal.
Emendas parlamentares — que saltaram para volumes recordes nos últimos anos — representam uma pressão constante por mais gastos. A tentativa de limitar ou conter essas transferências gerou crise política grave no final de 2024, demonstrando os limites práticos da disciplina fiscal dentro do arranjo político atual.
O que os Candidatos à Presidência Precisarão Responder
A situação fiscal coloca questões concretas que qualquer candidato a presidente em 2026 precisará responder. Como estabilizar a dívida/PIB sem aumentar impostos ou cortar gastos de forma impopular? Como reduzir a Selic sem sinalizar tolerância com a inflação? Como atrair investimento privado em um ambiente de incerteza fiscal?
Não há respostas simples. Mas o eleitor que em 2026 estiver pagando mais caro por serviços básicos, vendo o SUS mais sobrecarregado e recebendo uma conta de energia maior por causa da instabilidade cambial terá motivos concretos para cobrar respostas dos candidatos.
A crise fiscal brasileira não é apenas um debate de especialistas. Seus efeitos chegam ao bolso, ao posto de saúde e à escola pública de cada brasileiro. Acompanhe as análises sobre o cenário econômico e político rumo às eleições de 2026.
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